“Músicos em ordem de batalha” Reflexão – Parte 1 5 out 2013 | 4.637 visitas

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Queridos, a paz de nosso Senhor Jesus Cristo!

Inicio com vocês a partir dessa semana uma reflexão sobre o livro de Monsenhor Jonas Abib – Músicos em ordem de batalha, da Editora Canção Nova. Gostaria de deixar aqui um pouco dos ensinamentos transmitidos neste livro que é de grande ajuda para a formação e crescimento espiritual do músico católico. O livro trás em seu conteúdo ensinamentos, orações e reflexões sobre como ministrar a música, a intimidade do músico com Deus, as escolhas e renúncias que precisam ser feitas para atender ao chamado do Senhor e os comportamentos necessários do músico católico durante sua caminhada. Portanto vamos entender essa semana um pouco da proposta do capítulo 1, “A força de uma escolha.”

No primeiro capítulo do livro, Monsenhor Jonas nos dá a idéia de como Deus investe em seus filhos, como ele faz para que os nossos caminhos se cruzem com o dele, como por exemplo, na passagem dos Atos dos Apóstolos, onde Deus envia um anjo a Filipe que diz:

“Dirigi-te para o sul à estrada que vai de Jerusalém a Gaza; ela está deserta. E Filipe partiu imediatamente. Ora, um eunuco, etíope, alto funcionário de Candace, rainha da Etiópia e administrador geral do seu tesouro, que fora a Jerusalém em peregrinação, voltava para casa; sentado em seu carro, lia o Profeta Isaías. O Espírito disse a Filipe: ‘Adianta-te e alcança aquele carro.’ ” (At 8, 26-29)

Para esclarecer o termo “eunuco”, naquele tempo havia rainhas e princesas, os homens que estavam a serviço delas eram obrigatoriamente castrados para que as mesmas não corressem riscos, assim eram chamados eunucos, em troca disso eram bem pagos pela realeza. Porém, para os judeus isso era um absurdo, ser pai, gerar muitos filhos e ter uma família era algo sagrado para os homens, portanto os eunucos eram julgados e vistos com maus olhos.

Primeiramente por escolha de Deus somos chamados a sermos instrumentos de evangelização, mas inicialmente porque nosso Senhor nos escolheu. Isso acontece independentemente de nossa situação de vida, independente de nossos pecados, como no caso do eunuco que vivia em pecado, porém Deus em sua infinita misericórdia, diferente dos judeus, olhou com bons olhos para aquele seu filho e investiu nele. Esse eunuco que voltava da peregrinação lendo o Profeta Isaías, era provável que estava arrependido de sua situação de vida e seu pecado, e buscava uma solução para o seu caso, porém sem saber o que o aguardava e tampouco saber que Deus o observava.

Isso pode acontecer conosco nos dias atuais, talvez em diversas situações no deixamos ser castrados, seja em nossa sexualidade, afetividade, vida desregrada. Deus entregou aos músicos dotes artísticos, a música entre todas as artes é a que mais exige sensibilidade e por causa dessa sensibilidade talvez nos deixamos ir mais longe, podendo confundir isso com sexualidade, vaidade. O Senhor mantinha em vista aquele eunuco que vivia em pecado e se deixou castrar por ambição, para conseguir um alto posto na sociedade, um alto salário e nós talvez nos deixamos ser castrados por essa mesma ambição, para conseguir entrar naquela banda, para ter mais amigos, para ser mais conhecido, para adquirir fama. Não é essa a proposta de Deus para o músico, quanto mais deixarmos com que essa sensibilidade desregrada tome conta de nós, mais nos distanciamos de Deus e isso faz com que nosso servir perca todo o sentido. Da mesma forma que Deus usou Filipe para se encontrar com o eunuco e realizou todo o plano de resgate daquele homem, também pode estar cercando você.

Podemos aprender também nesse capítulo um pouco da história de conversão do apóstolo Paulo, que antes de conhecer a Deus se chamava Saulo. Saulo perseguia os cristãos, odiava-os, devastava suas casas e os levavam aos tribunais para serem julgados. Certo dia, Saulo pediu permissão ao sumo sacerdote para ir até Damasco, pois soube que lá havia cristãos. Em seu plano de salvação, Deus aparece a um homem muito simples da região e temente a Deus chamado Ananias, e diz:

“Levanta-te e vai à rua Direita e pergunta em casa de Judas por um home de Tarso, chamado Saulo; ele está orando. Ananias respondeu: “Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiés em Jerusalém, e aqui ele tem poder dos príncipes e dos sacerdotes para pender a todos aqueles que invocam o teu nome.” Mas o Senhor lhe disse: “Vai porque este home é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel.” (At 9, 11-15)

Chegando lá, Ananias viu que Saulo estava cego, Ananias então disse:

“Saulo meu irmão, é o Senhor quem me envia, foi ele quem me mandou aqui para que impusesse as mãos sobre ti afim de que recuperes a vista e fique repleto do Espírito Santo.” (At 9, 17)

Diante dessas palavras vindas de um homem de Deus, Saulo cede, Ananias impõe as mãos, ora por ele, a visão lhe é devolvida então ele é batizado. Após a conversão, Saulo imediatamente começa a ser apóstolo pregando e anunciando Jesus, não só na região onde vivia, mas também na Europa toda, que era um território desconhecido para ele. Ninguém ousou ir para tão longe, por isso o evangelho que conhecemos hoje se deve ao apostolado de Paulo.

Deus precisa do músico como instrumento de resgate, ele quer usá-lo por meio de seu ministério, de seus dotes, de sua musicalidade. Ele quer usá-lo com sua pureza, sua santidade, seu empenho na busca da palavra de Deus e nos resgate de almas. Diante dessas duas histórias tivemos a chance de saber que Deus sempre está disposto a dar o primeiro passo em nosso favor, vejam os exemplos de vida que esses dois homens viveram, o pecado os impediam de enxergar o quanto Deus está próximo, porém nada é impossível, mesmo com os corações endurecidos o Senhor jamais desistiu deles, e encontrou uma “brecha” para que o resgate de fato acontecesse. Convido você então a entregar o que hoje na sua vida te castra, não sei o que você vive e não conheço os problemas que o impede de estar próximo de Deus, porém tenha certeza de que ele olha por você e tem um plano de salvação de forma particular para cada um de nós. Apresente ao Senhor seu corpo, sua alma, seu espírito. Apresente seus dotes, sua musicalidade, se apresente ao Senhor assim como Saulo se apresentou. “Senhor, o que queres que eu faça?”. Tenhamos fé e esperança sempre, que sejamos resgatados por Deus para sermos instrumentos de resgate para Deus, e que a força de nossa escolha reflita em nosso servir.

Deus abençoe você!
Fabiana Inácio
musica@psaoroque.com.br

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